Cuidado com as tomadas

Na dica anterior eu tratei de uma questão importante e que, certamente, a maioria dos usuários não sabem, que é o risco de queimar o equipamento durante o “tira e bota” de um conector HDMI.

Naquele momento eu “inocentei” o conector e coloquei a maior parte da “culpa” na rede elétrica e é sobre ela que quero falar agora.

A sofisticação da tecnologia e a quantidade de “coisas eletrônicas” que temos hoje em nossas casas todas elas ligadas nas tomadas, ou seja, à rede elétrica, fez com que esta ganhasse uma importância praticamente desprezível no tempo dos analógicos.

A pergunta que você deve estar se fazendo é:- como saber se as tomadas onde ligo meus tvs, receivers, notebooks, etc. está ok?

A resposta a esta pergunta não é tão simples assim, mas um passo importante poderá ser dado se você começar com a padronização das tomadas em sua residência pelo menos onde estão ligados os aparelhos de áudio e vídeo e ao longo do artigo irei explicar como fazer isso de maneira simples.

Antes porém preciso falar da tomada brasileira, tão “odiada” por muita gente.

Este padrão foi adotado oficialmente aqui no Brasil em 2010 e não adianta reclamar porque ele veio para ficar, então o jeito é “relaxar e usar”, porém da forma correta. Vejamos como.

No meu ponto de vista há prós e contras no padrão.

Olhando pelo lado bom eu citaria dois itens:

  • A questão da segurança é essencial evitando que o usuário toque inadvertidamente na parte metálica com riscos de levar um choque. Neste quesito eu dou nota 10, nenhum dos outros 13 padrões mundiais leva isto em conta, pelo menos que eu saiba.
  • Só existe uma maneira de se ligar a tomada (se o terceiro pino não for cortado ou mesmo omitido pelo fabricante) o que garante que a ligação fase e neutro seja feita sempre do mesmo jeito. Já irei explicar melhor isto.

Agora vamos aos pontos negativos:

  • Dois tipos de padrão, um para 10 ampères e ouro para 20 ampères com “grossura” dos pinos diferentes. Uma grande bobagem que só confunde o usuário. Por que não fazer tudo para 20 ampères já que como diz o ditado “o que abunda não prejudica”?
  • A posição dos pinos fase e neutro invertida em relação ao padrão americano muito usado no Brasil. Este eu considero uma grande mancada e você já irá entender porquê.

Um breve comentário sobre fase, neutro e terra

Mesmo sem entrar em muitos aprofundamentos técnicos sobre o assunto não posso deixar de fazer uma abordagem superficial sobre o tema, pois ele é cada vez mais relevante em face ao grande número a aparelhos eletrônicos de alta tecnologia que temos hoje em nossas casas.

A rede elétrica mais usual é a de 127V monofásica, que significa, uma só fase.

Mas você deve estar querendo me perguntar, então por que a tomada tem três “buraquinhos”.

Na verdade para os aparelhos funcionarem bastariam dois, onde um é chamado de fase e o outro de neutro.

O terceiro “buraquinho” é o “aterramento” ou ground, tecnicamente, falando “proteção elétrica”. Mal comparando, este terceiro pino, popularmente chamado “terra”, é como o air bag, não faz falta para o carro andar, a menos que o motorista não veja o poste a sua frente.

Falando para o leigo, a fase é o que dá choque e o neutro está referenciado à terra (“chão”) e por isso, não dá choque.

Mas, é daí?

Veja na figura acima o que acontece com a posição destes pinos na tomada brasileira e na americana.

Considerando o pino “terra” virado para baixo nos dois casos, podemos observar que na tomada americana o neutro está a esquerda, enquanto na brasileira está a direita.

Já dá para concluir que ter os dois tipos de tomada no mesmo ambiente, às vezes, pode dar alguma confusão.  Será que ninguém pensou nisto?

E o pior de tudo são aqueles adaptadores que “transformam” o padrão americano no brasileiro que não consideram que as posições de fase e neutro estão invertidas.

E qual a função do terceiro pino, o de aterramento?

De uma maneira bem superficial pode-se dizer que a principal função deste pino é manter todas as partes metálicas do equipamento referenciadas à terra (“chão”) e proteger os usuários de choque elétrico, além de servir de guia para que todas os aparelhos sejam ligados sempre do mesmo jeito, ou seja, neutro no neutro e fase na fase, isto se o “eletricista” ao instalar as tomadas levou isto em conta.

Voltando a questão do pino de aterramento

Introduzir o pino de aterramento no padrão de tomadas brasileiro foi, sem dúvida, um grande avanço, mas como diz aquela piadinha: – “só esqueceram de combinar com os russos”.

O que ocorre é que maioria das residências brasileiras não tem o fio “terra” chegando às tomadas e para complicar a situação muitos pseudo eletricistas confundem terra com neutro e, às vezes, até ligam os dois juntos na tomada o que JAMAIS deve ser feito.

Há um outro papel para o aterramento que é o de “mandar” para a terra possíveis interferências que possam penetrar, na rede elétrica com descargas elétricas, para citar um exemplo e que não são muito “bem vistas” por equipamentos eletrônicos de alta tecnologia como os atuais.

Então se tivermos um bom sistema de aterramento todos equipamentos estarão protegidos?

Não posso afirmar isto, mas vale lembrar que é melhor prevenir do que remediar e a comparação com o air bag é pertinente neste caso. Não significa que tê-lo no carro que o motorista ou passageiros estarão a salvo numa batida, mas pode ajudar a minimizar os efeitos assim como o cinto de segurança.

E tal do “benjamin” e régua de tomadas, usar ou não usar, parafraseando Shakespeare.

Esta é uma boa polêmica. Quando o padrão de tomada brasileira foi introduzido a mídia alardeava a todo momento que “a fabricação dos benjamins seria proibida”.

Esta foi mais uma daquelas coisas que “não pegaram” e hoje eles são vendidos e, portanto, são fabricados obviamente, desde de camelôs a lojas especializadas.

Se precisar usar use, numa emergência, por exemplo, para ligar um abajur e um ventilador, mas NUNCA em seus equipamentos de áudio e vídeo. 

Ainda falando das réguas de tomadas elas, às vezes, costumam ser vendidas como filtros de linha e protetoras da rede elétrica o que não é verdade. No fundo elas são uma espécie de “benjamin linear” que até podem ser usadas se temos vários equipamentos a serem ligados e uma única “tomada na parede” disponível, entretanto é importante saber que réguas de tomada ou filtros de linha não protege contra surtos de energia.

Os fabricantes sérios informam na embalagem de suas réguas de tomadas ou filtro de linhas que o produto não protege contra surtos de energia, e também conta sobretensão e sub tensão. 

Para uma proteção eficiente dos equipamentos contra transientes, surtos elétricos, sub tensão e sobretensão de energia bem como Irradiação Eletromagnética (EMI) e Interferência de Rádio Frequência (RFI) deve-se utilizar condicionadores de energia, equipamento dedicado a esta finalidade sobre os quais falarei oportunamente.

E se o equipamento tem uma tomada brasileira apenas com dois pinos?

Este foi, a meu ver, um outro vacilo dos projetistas da tomada ou talvez eles tenham julgado que elas sempre teriam três pinos, só que o jeitinho brasileiro vai “adaptando as coisas” e tirar o terceiro pino que, na visão de muitos não serve pra nada, foi o primeiro passo da “simplificação”.

Aí fica difícil, ou melhor, impossível para o usuário saber qual dos pinos na ponta do fio é fase e qual neutro.

Na tomada “da parede” existe uma minúscula marcação com a letra N indicando o lado do neutro, porém no pino não tem marcação nenhuma.

Considerações finais

Vou ficando por aqui com a certeza de que talvez não tenha esclarecido todas as suas dúvidas porque o assunto é muito vasto, mas minha intenção nesta seção de dicas no blog da ASINTEC é chamar a atenção para problemas que podem ser a causa de “defeitos” inesperados e torná-lo um usuário mais consciente.

Uma vez que se saiba que os problemas existem fica mais fácil procurar a solução.

Finalmente se você se interessa pelo assunto é quer saber mais eu sugiro a leitura do artigo “Padrão de tomada brasileiro: Prós & Contras” que publiquei no meu blog em março de 2014.

Link do artigo.

http://www.paulobrites.com.br/?s=Padr%C3%A3o+de+tomada+brasileiro%3A+Pr%C3%B3s+%26+Contras

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *